quarta-feira, 6 de maio de 2009

O risco de contaminação pelo vírus

HIV na cirurgia ortopédica.

RISCOS DE CONTAMINAÇÃO

ATRAVÉS DE ATO CIRÚRGICO

O primeiro caso relatado na literatura de contaminação De um profissional de saúde pelo vírus HIV ocorreu na África,em 1983, com uma enfermeira que recebeu uma picada de agulha de uma seringa contendo sangue fresco de paciente

Contaminado. Teoricamente, vários são os mecanismos através dos

quais um profissional de saúde pode vir a ser contaminado

por um paciente: ferimentos perfurantes por agulhas, ferimentos

por objetos cortantes, exposição de lesões prévias de

pele ao sangue do paciente, transmissão através de mucosas,

queimaduras por cautério.

Durante uma cirurgia, a possibilidade de ocorrência de

um acidente que exponha o profissional ao sangue do paciente

é de cerca de 10%(11,22). Em algumas estatísticas de

cirurgia ortopédica, esta incidência e menor, o que pode ser

atribuído à utilização do no-touch technique comum entre

muitos destes especialistas(18).

As picadas de agulha constituem a ocorrência mais comum:

107 vezes em 112 acidentes (95%) para Hussain &

col.(18) e 962/1.201 (80%) segundo Marcus(20). Em geral, elesacontecem no momento da sutura, quando o cirurgião procura

recolher com os dedos a agulha que emerge dos tecidos.

As luvas cirúrgicas fabricadas em látex, desde que intactas,

constituem barreira eficiente para a penetração de microorganismos

(8). Entretanto, mesmo a utilização de dois pares

de luvas não impede o ferimento por agulhas. Após uma

cirurgia ortopédica, cerca de 50 a 60%) das vezes ocorre a

perfuração da luva externa e seis a 10% das duas luvas(9). O

mais preocupante e que em cerca de 50/o das vezes estas

perfurações não são percebidas pelos cirurgiões(11,22) .

Para o pessoal paramédic, a maioria dos acidentes perfurantes

acontece no momento do recapeamento da agulha

ou na manipulação, pelo pessoal de limpeza, de agulhas usadas

e não devidamente protegidas.

O volume de sangue necessário para a transmissão do

HIV deve ser maior do que o que está presente numa agulha

de sutura e a passagem por duas luvas limpa a agulha, reduzindo

a quantidade de sangue que chega a pele do cirurgião.

Muitas das contaminates de profissionais da saúde foram

conseqüência de inoculações profundas de agulhas ligadas a

seringas contendo grande quantidade de sangue(17).

A exposição a outros fluidos diferentes do sangue não

provocou qualquer caso de contaminação. Até hoje, o sangue

é o único fluido corporal responsabilizado pela transmissão

do HIV nos atos médicos.

Os diversos estudos realizados com profissionais de saúde

que foram inoculados por sangue de pacientes portadores de

HIV mostram que o risco de soroconversão é de três para

cada 1.000 ocorrências(7,14,16,20). É preciso considerar que, nessas

mesmas condições, o risco de contaminação com o vírus

da hepatite B é de seis a 30%.

O risco de aquisição do vírus HIV a partir do sangue de

um indivíduo com infecção esta diretamente ligado ao estado

de evolução da doença. Os casos descritos na literatura,

que apresentam soroconversão, foram contaminados por pacientes

sintomáticos(20).

Embora o risco de transmissão de HIV seja muito pequeno

após um simples ferimento percutâneo, é preciso considerar

que um cirurgião esta exposto a inúmeras picadas de

agulhas ou ferimentos cortantes durante sua vida profissional.

Assim, deve-se levar em conta a somatória dos riscos de

toda uma vida profissional e não de uma única cirurgia.

Outro aspecto da transmissão do HIV está ligado ao receptor

de um enxerto ósseo alógeno que pode estar eventualmente

contaminado pelo vírus HIV. Esta ocorrência já foi

verificada em algumas ocasiões, conforrne citação de Hernigou

& col.(l6). Tais riscos impõem a adoção de controlerigoroso dos doadores e medidas de esterilização que garantam

a segurança deste procedimento.

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